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Lei de nº 9.605, de 13 de Fevereiro, de 1998

 

Lei de Crimes Ambientais

 

Sancionada, dia 12 de fevereiro de 1998, pelo presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.

 

 

 

Capítulo I – Disposições Gerais

 

Art. 1º VETADO

 

Art. 2º Quem, de qualquer forma, concorre para a prática dos crimes previstos nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como o diretor, o administrador, o membro de conselho e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la.

 

Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade.

 

Parágrafo único: A responsabilidade das pessoas jurídicas não exclui a das pessoas físicas, autoras, co-autoras ou partícipes do mesmo fato.

 

Art. 4º Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.

 

Art. 5º VETADO

 

Capítulo II – Da Aplicação da Pena

 

Art. 6º Para imposição e gradação da penalidade, a autoridade competente observará:

 

I. a gravidade do fato, tendo em vista os motivos da infração e suas conseqüências para a saúde pública e para o meio ambiente;

 

II. os antecedentes do infrator quanto ao cumprimento da legislação de interesse ambiental;

 

III. a situação econômica do infrator, no caso de multa.

 

Art. 7º As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade quando:

 

I. tratar-se de crime culposo ou for aplicada a pena privativa de liberdade inferior a quatro anos;

 

II. a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias do crime indicarem que a substituição seja suficiente para efeitos de reprovação e prevenção do crime.

 

Parágrafo único: As penas restritivas de direitos a que se refere este artigo terão a mesma duração da pena privativa de liberdade substituída.

 

Art. 8º As penas restritivas de direito são:

 

I. prestação de serviços à comunidade;

 

II. interdição temporária de direitos;

 

III. suspensão parcial ou total de atividades;

 

IV. prestação pecuniária;

 

V. recolhimento domiciliar.

 

Art. 9º A prestação de serviços à comunidade consiste na atribuição ao condenado de tarefas gratuitas junto a parques e jardins públicos e unidades de conservação, e, no caso de dano da coisa particular, pública ou tombada, na restauração desta, se possível.

 

Art. 10º As penas de interdição temporária de direito são a proibição de o condenado contratar com o Poder Público, de receber incentivos fiscais ou quaisquer outros benefícios, bem como de participar de licitações, pelo prazo de cinco anos, no caso de crimes dolosos, e de três anos, no de crimes culposos.

 

Art. 11º A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às prescrições legais.

 

Art. 12º A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima ou à entidade pública ou privada com fim social, de importância, fixada pelo juiz, não inferior a um salário mínimo nem superior a trezentos e sessenta salários mínimos. O valor pago será deduzido do montante de eventual reparação civil a que for condenado o infrator.

 

Art. 13º O recolhimento domiciliar baseia-se na autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado, que deverá, sem vigilância, trabalhar, freqüentar curso ou exercer atividade autorizada, permanecendo recolhido nos dias e horários de folga em residência ou em qualquer local destinado a sua moradia habitual, conforme estabelecido na sentença condenatória.

 

Art. 14º São circunstâncias que atenuam a pena:

 

I. baixo grau de instrução ou escolaridade do agente;

 

II. arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano, ou limitação significativa da III. degradação ambiental causada;

 

IV. comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental;

 

V. colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental.

 

Art. 15º São circunstâncias que agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime:

 

I. reincidência nos crimes de natureza ambiental;

 

II. ter o agente cometido a infração:

 

a) para obter vantagem pecuniária;

 

b) coagindo outrem para a execução material da infração;

 

c) afetando ou expondo a perigo, de maneira grave, a saúde pública ou o meio ambiente;

 

d) concorrendo para danos à propriedade alheia;

 

e) atingindo áreas de unidades de conservação ou áreas sujeitas, por ato do Poder Público, a regime especial de uso;

 

f) atingindo áreas urbanas ou quaisquer assentamentos humanos;

 

g) em período de defeso à fauna;

 

h) em domingos ou feriados;

 

i) à noite;

 

j) em épocas de seca ou inundações;

 

k) no interior do espaço territorial especialmente protegido;

 

l) com o emprego de métodos cruéis para abate ou captura de animais;

 

m) mediante fraude ou abuso de confiança;

 

n) mediante abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental;

 

o) no interesse de pessoa jurídica mantida, total ou parcialmente, por verbas públicas ou beneficiada por incentivos fiscais;

 

p) atingindo espécies ameaçadas, listadas em relatórios oficiais das autoridades competentes;

 

q) facilitada por funcionário público no exercício de suas funções.

 

Art. 16º Nos crimes previstos nesta Lei, a suspensão condicional da pena pode ser aplicada nos casos de condenação a pena privativa de liberdade não superior a três anos.

 

Art. 17º A verificação da reparação a que se refere o § 2º do art. 78 do Código Penal será feita mediante laudo de reparação do dano ambiental, e as condições a serem impostas pelo juiz deverão relacionar-se com a proteção ao meio ambiente.

 

Art. 18º A multa será calculada segundo os critérios do Código Penal; se revelar-se ineficaz, ainda que aplicada no valor máximo, poderá ser aumentada até três vezes, tendo em vista o valor da vantagem econômica auferida.

 

Art. 19º A perícia de constatação do dano ambiental, sempre que possível, fixará o montante do prejuízo causado para efeitos de prestação de fiança e cálculo de multa.

 

Parágrafo único: A perícia produzida no inquérito civil ou no juízo cível poderá ser aproveitada no processo penal, instaurando-se o contraditório.

 

Art. 20º A sentença penal condenatória, sempre que possível, fixará o valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido ou pelo meio ambiente.

 

Parágrafo único: Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução poderá efetuar-se pelo valor fixado nos termos do caput, sem prejuízo da liquidação para apuração do dano efetivamente sofrido.

 

Art. 21º As penas aplicáveis isolada, cumulativa ou alternativamente às pessoas jurídicas, de acordo com o disposto no art. 3º, são:

 

I. multa;

 

II. restritivas de direitos;

 

III. prestação de serviços à comunidade.

 

Art. 22º As penas restritivas de direitos da pessoa jurídica são:

 

I. suspensão parcial ou total de atividades;

 

II. interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade;

 

III. proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter subsídios, subvenções ou doações.

 

§ 1º A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às disposições legais ou regulamentares, relativas à proteção do meio ambiente.

 

§ 2º A interdição será aplicada quando o estabelecimento, obra ou atividade estiver funcionando sem a devida autorização, ou em desacordo com a concedida, ou com violação de disposição legal ou regulamentar.

 

§ 3º A proibição de contratar com o Poder Público e dele obter subsídios, subvenções ou doações não poderá exceder o prazo de dez anos.

 

Art. 23º A prestação de serviços à comunidade pela pessoa jurídica consistirá em:

 

I. custeio de programas e de projetos ambientais;

 

II. execução de obras de recuperação de áreas degradadas;

 

III. manutenção de espaços públicos;

 

IV. contribuições a entidades ambientais ou culturais públicas.

 

Art. 24º A pessoa jurídica constituída ou utilizada, preponderantemente, com o fim de permitir, facilitar ou ocultar a prática de crime definido nesta Lei terá decretada sua liquidação forçada, seu patrimônio será considerado instrumento do crime e como tal perdido em favor do Fundo Penitenciário Nacional.

 

Capítulo III – Da Apreensão do Produto e do Instrumento de Infração Administrativa ou de Crime

 

Art. 25º Verificada a infração, serão apreendidos seus produtos e instrumentos, lavrando-se os respectivos autos.

 

§ 1º Os animais serão libertados em seu habitat ou entregues a jardins zoológicos, fundações ou entidades assemelhadas, desde que fiquem sob a responsabilidade de técnicos habilitados.

 

§ 2º Tratando-se de produtos perecíveis ou madeiras, serão estes avaliados e doados a instituições científicas, hospitalares, penais e outras com fins beneficentes.

 

§ 3º Os produtos e subprodutos da fauna não perecíveis serão destruídos ou doados a instituições científicas, culturais ou educacionais.

 

§ 4º Os instrumentos utilizados na prática da infração serão vendidos, garantida a sua descaracterização por meio da reciclagem.

 

Capítulo IV – Da Ação E Do Processo Penal

 

Art. 26º Nas infrações penais previstas nesta Lei, a ação penal é pública incondicionada.

 

Parágrafo único: VETADO

 

Art. 27º Nos crimes ambientais de menor potencial ofensivo, a proposta de aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa, prevista no art. 76 da Lei n.º 9.099, de 26 de setembro de 1995, somente poderá ser formulada desde que tenha havido a prévia composição do dano ambiental, de que trata o art. 74 da mesma lei, salvo em caso de comprovada impossibilidade.

 

Art. 28º As disposições do art. 89 da Lei n.º 9.099, de 26 de setembro de 1995, aplicam-se aos crimes de menor potencial ofensivo definidos nesta Lei, com as seguintes modificações:

 

I. a declaração de extinção de punibilidade, de que trata o § 5° do artigo referido no caput, dependerá de laudo de constatação de reparação do dano ambiental, ressalvada a impossibilidade prevista no inciso I do § 1° do mesmo artigo;

 

II. na hipótese de o laudo de constatação comprovar não ter sido completa a reparação, o prazo de suspensão do processo será prorrogado, até o período máximo previsto no artigo referido no caput, acrescido de mais um ano, com suspensão do prazo da prescrição;

 

III. no período de prorrogação, não se aplicarão as condições dos incisos II, III e IV do § 1° do artigo mencionado no caput;

 

IV. findo o prazo de prorrogação, proceder-se-á à lavratura de novo laudo de constatação de reparação do dano ambiental, podendo, conforme seu resultado, ser novamente prorrogado o período de suspensão, até o máximo previsto no inciso II deste artigo, observado o disposto no inciso III;

 

V. esgotado o prazo máximo de prorrogação, a declaração de extinção de punibilidade dependerá de laudo de constatação que comprove ter o acusado tomado as providências necessárias à reparação integral do dano.

 

Capítulo V – Dos Crimes Contra o Meio Ambiente

 

Seção I – Dos Crimes contra a Fauna

 

Art. 29º Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida:

 

Pena: detenção de seis meses a um ano, e multa.

 

§ 1º Incorre nas mesmas penas:

 

I. quem impede a procriação da fauna, sem licença, autorização ou em desacordo com a obtida;

 

II. quem modifica, danifica ou destrói ninho, abrigo ou criadouro natural;

 

III. quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire, guarda, tem em cativeiro ou depósito, utiliza ou transporta ovos, larvas ou espécimes da fauna silvestre, nativa ou em rota migratória, bem como produtos e objetos dela oriundos, provenientes de criadouros não autorizados ou sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente.

 

§ 2º No caso de guarda doméstica de espécie silvestre não considerada ameaçada de extinção, pode o juiz, considerando as circunstâncias, deixar de aplicar a pena.

 

§ 3º São espécimes da fauna silvestre todos aqueles pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham todo ou parte de seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiro, ou águas jurisdicionais brasileiras.

 

§ 4º A pena é aumentada de metade, se o crime é praticado:

 

I. contra espécie rara ou considerada ameaçada de extinção, ainda que somente no local da infração;

 

II. em período proibido à caça;

 

III. durante a noite;

 

IV. com abuso de licença;

 

V. em unidade de conservação;

 

VI. com emprego de métodos ou instrumentos capazes de provocar destruição em massa.

 

§ 5º A pena é aumentada até o triplo, se o crime decorre do exercício de caça profissional.

 

§ 6º As disposições deste artigo não se aplicam aos atos de pesca.

 

Art. 30º Exportar para o exterior peles e couros de anfíbios e répteis em bruto, sem a autorização da autoridade ambiental competente:

 

Pena: reclusão, de um a três anos, e multa.

 

Art. 31º Introduzir espécime animal no País, sem parecer técnico oficial favorável e licença expedida por autoridade competente:

 

Pena: detenção, de três meses a um ano, e multa.

 

Art. 32º Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:

 

Pena: detenção, de três meses a um ano, e multa.

 

§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.

 

§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.

 

Art. 33º Provocar, pela emissão de efluentes ou carreamento de materiais, o perecimento de espécimes da fauna aquática existentes em rios, lagos, açudes, lagoas, baías ou águas jurisdicionais brasileiras:

 

Pena: detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas cumulativamente.

 

Parágrafo único: Incorre nas mesmas penas:

 

I. quem causa degradação em viveiros, açudes ou estações de aqüicultura de domínio público;

 

II. quem explora campos naturais de invertebrados aquáticos e algas, sem licença, permissão ou autorização da autoridade competente;

 

III. quem fundeia embarcações ou lança detritos de qualquer natureza sobre bancos de moluscos ou corais, devidamente demarcados em carta náutica.

 

Art. 34º Pescar em período no qual a pesca seja proibida ou em lugares interditados por órgão competente:

 

Pena: detenção de um ano a três anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.

 

Parágrafo único: Incorre nas mesmas penas quem:

 

I. pesca espécies que devam ser preservadas ou espécimes com tamanhos inferiores aos permitidos;

 

II. pesca quantidades superiores às permitidas, ou mediante a utilização de aparelhos, petrechos, técnicas e métodos não permitidos;

 

III. transporta, comercializa, beneficia ou industrializa espécimes provenientes da coleta, apanha e pesca proibidas.

 

Art. 35º Pescar mediante a utilização de:

 

I. explosivos ou substâncias que, em contato com a água, produzam efeito semelhante;

 

II. substâncias tóxicas, ou outro meio proibido pela autoridade competente:

 

Pena: reclusão de um ano a cinco anos.

 

Art. 36º Para os efeitos desta Lei, considera-se pesca todo ato tendente a retirar, extrair, coletar, apanhar, apreender ou capturar espécimes dos grupos dos peixes, crustáceos, moluscos e vegetais hidróbios, suscetíveis ou não de aproveitamento econômico, ressalvadas as espécies ameaçadas de extinção, constantes nas listas oficiais da fauna e da flora.

 

Art. 37º Não é crime o abate de animal, quando realizado:

 

I. em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua família;

 

II. para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória ou destruidora de animais, desde que legal e expressamente autorizado pela autoridade competente;

 

III. VETADO

 

IV. por ser nocivo o animal, desde que assim caracterizado pelo órgão competente.

 

Seção II – Dos Crimes contra a Flora

 

Art. 38º Destruir ou danificar floresta considerada de preservação permanente, mesmo que em formação, ou utilizá-la com infringência das normas de proteção:

 

Pena: detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.

 

Parágrafo único: Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade.

 

Art. 39º Cortar árvores em floresta considerada de preservação permanente, sem permissão da autoridade competente:

 

Pena: detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.

 

Art. 40º Causar dano direto ou indireto às Unidades de Conservação e às áreas de que trata o art. 27 do Decreto n.º 99.274, de 6 de junho de 1990, independentemente de sua localização:

 

Pena: reclusão, de um a cinco anos.

 

§ 1º Entende-se por Unidades de Conservação as Reservas Biológicas, Reservas Ecológicas, Estações Ecológicas, Parques Nacionais, Estaduais e Municipais, Florestas Nacionais, Estaduais e Municipais, Áreas de Proteção Ambiental, Áreas de Relevante Interesse Ecológico e Reservas Extrativistas ou outras a serem criadas pelo Poder Público.

 

§ 2º A ocorrência de dano afetando espécies ameaçadas de extinção no interior das Unidades de Conservação será considerada circunstância agravante para a fixação da pena.

 

§ 3º Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade.

 

Art. 41º Provocar incêndio em mata ou floresta:

 

Pena: reclusão, de dois a quatro anos, e multa.

 

Parágrafo único: Se o crime é culposo, a pena é de detenção de seis meses a um ano, e multa.

 

Art. 42º Fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios nas florestas e demais formas de vegetação, em áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano:

 

Pena: detenção de um a três anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.

 

Art. 43º VETADO

 

Art. 44º Extrair de florestas de domínio público ou consideradas de preservação permanente, sem prévia autorização, pedra, areia, cal ou qualquer espécie de minerais:

 

Pena: detenção, de seis meses a um ano, e multa.

 

Art. 45º Cortar ou transformar em carvão madeira de lei, assim classificada por ato do Poder Público, para fins industriais, energéticos ou para qualquer outra exploração, econômica ou não, em desacordo com as determinações legais:

 

Pena: reclusão, de um a dois anos, e multa.

 

Art. 46º Receber ou adquirir, para fins comerciais ou industriais, madeira, lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal, sem exigir a exibição de licença do vendedor, outorgada pela autoridade competente, e sem munir-se da via que deverá acompanhar o produto até final beneficiamento:

 

Pena: detenção, de seis meses a um ano, e multa.

 

Parágrafo único: Incorre nas mesmas penas quem vende, expõe à venda, tem em depósito, transporta ou guarda madeira, lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal, sem licença válida para todo o tempo da viagem ou do armazenamento, outorgada pela autoridade competente.

 

Art. 47º VETADO

 

Art. 48º Impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas de vegetação:

 

Pena: detenção, de seis meses a um ano, e multa.

 

Art. 49º Destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou meio, plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em propriedade privada alheia:

 

Pena: detenção, de três meses a um ano, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.

 

Parágrafo único: No crime culposo, a pena é de um a seis meses, ou multa.

 

Art. 50º Destruir ou danificar florestas nativas ou plantadas ou vegetação fixadora de dunas, protetora de mangues, objeto de especial preservação:

 

Pena: detenção, de três meses a um ano, e multa.

 

Art. 51º Comercializar motosserra ou utilizá-la em florestas e nas demais formas de vegetação, sem licença ou registro da autoridade competente:

 

Pena: detenção, de três meses a um ano, e multa.

 

Art. 52º Penetrar em Unidades de Conservação conduzindo substâncias ou instrumentos próprios para caça ou para exploração de produtos ou subprodutos florestais, sem licença da autoridade competente:

 

Pena: detenção, de seis meses a um ano, e multa.

 

Art. 53º Nos crimes previstos nesta Seção, a pena é aumentada de um sexto a um terço se:

 

I. do fato resulta a diminuição de águas naturais, a erosão do solo ou a modificação do regime climático;

 

II. o crime é cometido:

 

a) no período de queda das sementes;

 

b) no período de formação de vegetações;

 

c) contra espécies raras ou ameaçadas de extinção, ainda que a ameaça ocorra somente no local da infração;

 

d) em época de seca ou inundação;

 

e) durante a noite, em domingo ou feriado.

 

Seção III – Da Poluição e outros Crimes Ambientais

 

Art. 54º Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora:

 

Pena: reclusão, de um a quatro anos, e multa.

 

§ 1º Se o crime é culposo:

 

Pena: detenção, de seis meses a um ano, e multa.

 

§ 2º Se o crime:

 

I. tornar uma área, urbana ou rural, imprópria para a ocupação humana;

 

II. causar poluição atmosférica que provoque a retirada, ainda que momentânea, dos habitantes das áreas afetadas, ou que cause danos diretos à saúde da população;

 

III. causar poluição hídrica que torne necessária a interrupção do abastecimento público de água de uma comunidade;

 

IV. dificultar ou impedir o uso público das praias;

 

V. ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou substâncias oleosas, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos:

 

Pena: reclusão, de um a cinco anos.

 

§ 3º Incorre nas mesmas penas previstas no parágrafo anterior quem deixar de adotar, quando assim o exigir a autoridade competente, medidas de precaução em caso de risco de dano ambiental grave ou irreversível.

 

Art. 55º Executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a competente autorização, permissão, concessão ou licença, ou em desacordo com a obtida:

 

Pena: detenção, de seis meses a um ano, e multa.

 

Parágrafo único: Nas mesmas penas incorre quem deixa de recuperar a área pesquisada ou explorada, nos termos da autorização, permissão, licença, concessão ou determinação do órgão competente.

 

Art. 56. Produzir, processar, embalar, importar, exportar, comercializar, fornecer, transportar, armazenar, guardar, ter em depósito ou usar produto ou substância tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou nos seus regulamentos:

 

Pena: reclusão, de um a quatro anos, e multa.

 

§ 1º Nas mesmas penas incorre quem abandona os produtos ou substâncias referidos no caput, ou os utiliza em desacordo com as normas de segurança.

 

§ 2º Se o produto ou a substância for nuclear ou radioativa, a pena é aumentada de um sexto a um terço.

 

§ 3º Se o crime é culposo:

 

Pena: detenção, de seis meses a um ano, e multa.

 

Art. 57º VETADO

 

Art. 58ºNos crimes dolosos previstos nesta Seção, as penas serão aumentadas:

 

I. de um sexto a um terço, se resulta dano irreversível à flora ou ao meio ambiente em geral;

 

II. de um terço até a metade, se resulta lesão corporal de natureza grave em outrem;

 

III.  até o dobro, se resultar a morte de outrem.

 

Parágrafo único: As penalidades previstas neste artigo somente serão aplicadas se do fato não resultar crime mais grave.

 

Art. 59º VETADO

 

Art. 60º Construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar, em qualquer parte do território nacional, estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes, ou contrariando as normas legais e regulamentares pertinentes:

 

Pena: detenção, de um a seis meses, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.

 

Art. 61º Disseminar doença ou praga ou espécies que possam causar dano à agricultura, à pecuária, à fauna, à flora ou aos ecossistemas:

 

Pena: reclusão, de um a quatro anos, e multa.

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